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segunda-feira, 6 de junho de 2011
Tendências Suicidas
Status: em andamento. Esse texto será “rebootado” assim que meu cérebro voltar a se encontrar.
| Está rolando na internet um apelo feito por artistas , pessoas famosas e mesmo cidadãos comuns para os adolescentes gays ou bissexuais,etc., não encontrem no suicidio a saída para o inferno que suas vidas aparentam ser. “It’s Get Better” é o “motto” da campanha, por assim dizer. Nisso, me deu de comentar sobre nosso apego cultural à vida, e como o existir se tornou uma espécie de inescapabilidade, outra das inúmeras formas de obrigação. Deixa eu colocar antes que a campanha é uma revolução, considerando o tanto tempo que os gays tem sido ignorados quanto a essa situação, até por eles mesmos( quer dizer, nós mesmos, já que faço parte do grupo), por isso acho essa campanha, logicamente, positiva , algo de que participaria...se fosse famoso. Não, não postarei nenhum videozinho no YouTube. |
A vida é uma prisão. E nossa mente é, constantemente, o nosso escape. Geralmente, quando se fala de escapismo se pensa em drogas, vicios. Mas a verdade é que toda a nossa vida é uma “eterna” fuga (figurativamente falando, já que a maioria de nós não vai além dos 70) da total e completa falta de significado que procuramos preencher, sendo que a religião, obviamente, foi um dos primeiros e mais bem sucedidos “tapadores de buracos” de que utilizamos quando nossa consciência emergiu dos limites impostos pelos objetivos instintivos das necessidades fisiológicas. Comer, beber, trepar, defecar, enfim, o básico, foi suficiente para nós um dia, mas hoje, a capacidade técnica do ser humano foi dissecando a realidade, pondo por terra as fantasias
que sustentávamos, criando assim “uma lacuna do tamanho de Deus”. Como dar significado pra algo que na verdade não tem? A resposta atual é: consumo. Consumir para produzir, produzir para consumir mais, para produzir, e assim por diante. Uma vez li que, para “nosso” sistema não se autodestruir ele depende de um exponencial crescimento de consumo e produção, ad infinitum...ou quando os recursos acabarem e a porra toda se fuder. Mas, lógico, essa retardatice jamais foi, nem será, uma resposta pra nossa essência.
O lance é: estamos presos em um mecanismo básico, um programa, que gera múltiplos outros mini programas e assim por diante, chegando até nós, onde nossa consciência é o grande break desse loop gigantesco. Diferentemente de qualquer outra coisa ou ser, somos capazes de perceber o vazio da realidade, pesar na balança os prós e os contras, e chegar a conclusão de que
isso tudo é uma grande merda, na qual não temos interesse em permanecer atolados. O suicídio é uma escolha, nada mais, e deveria ser tão válida quanto qualquer outra das pseudo escolhas que fazemos. Os piedosos que acham essa lógica fria demais, tem sua sensibilidade baseada em 2 coisas:
1 – Eles ficariam infelizes, se uma pessoa querida para eles resolvesse se matar por estar infeliz.
2 – Estão felizes agora e por isso se, num futuro eles ficarem terrivelmente deprimidos por alguma coisa, vão querer que existam pessoas que as impeçam de fazer isso.
Seja o 1 ou o 2, repare, estão apenas preocupadas na verdade, com sua própria felicidade.
É engraçado que as discussões sobre a felicidade não poderiam ser algo mais classe média. Você não vai ver um morador de bairro pobre pensando sobre a felicidade ou o sentido da vida. Ele ou ela não tem tempo pra essas coisas. Isso é coisa de quem teve o luxo, como eu, de desenvolver cultura o suficiente para isso. E essas pessoas, como diria dona Florinda, “que vem lá da Alta”, não dão a mínima pra infelicidade alheia, a não ser que se transforme num show, como o dessas pessoas que aparecem “tentando” se matar (a.k.a. 15 minutos de fama). Ok, estou sendo exagerado. O desejo de ver alguém se matando ultrapassa os limites de classe.
Sabe de uma coisa? Quem quer se matar apenas o faz. Eu já tive desejos suicidas. Meu pai disse uma vez que estava prestes a atirar nos miolos. Meu irmão também teve esses desejos. Meu “melhor amigo”(não gosto desse título) também. Resumo: a infelicidade é geral, é uma constante. E a despeito da frase
ridícula que diz que algo do tipo “é melhor chorar no estofamento de um carro importado do que num fusca”, sofrimento é sofrimento. É sempre uma merda, não importa a situação. Te impede de aproveitar seja o pouco ou seja o muito que você tenha. Gays tentam se matar. Heteros tentam se matar. Evangélicos. Budistas. Ricos. Pobres. E por que não? É o vazio da vida. Em parte, o suicídio é um dos atos mais conscientes e maduros que uma pessoa pode fazer.O problema é que, quem deseja se matar está “religiosamente” dominado pela emoção de um sofrimento, não estão pensando claramente. Não estão pensando claramente pelo poder da emoção, assim como uma pessoa que está “amando”, ou uma pessoa num momento extremamente feliz de sua vida. Seja tomados por uma emoção negativa, seja tomados por uma emoção positiva, a segunda constante da história é: não é permanente. Não dura. Mas as chances dos momentos ruins são sempre maiores que os bons. Sempre.
Eu tenho uma razão simples pra permanecer nessa grande idiotice chamada de vida: estou infeliz, mas nem fudendo. Sou orgulhoso demais pra isso. Sorry, baby.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
TRAGÉDIA, TRAGÉDIA!!! He, he ,he!
"O QUE EU ACHO MAIS DIVERTIDO, E TRÁGICO AO MESMO TEMPO, PORQUE GERA UM MONTE DE MERDA, É, COMO JÁ ESCREVI ANTES, O ASPECTO CIRCENSE, ESPETÁCULOSO DA VIDA, QUE AS PESSOAS PARADOXALMENTE PARACEM ESTAR CONSCIENTES E INCONSCIENTES AO MESMO TEMPO. É COMO SE FOSSE UMA ESPÉCIE DE TRANSTORNO BIPOLAR UNIVERSAL: COM A MESMA FACILIDADE COM QUE RIEM DE TUDO, AS PESSOAS FAZEM DE TUDO UMA TRAGÉDIA”.
Sempre que vejo uma dessas TRAGÉDIAS na TV penso: será que alguém vendo essa reportagem para pra ter um pensamento filosófico sobre a vida e seu significado? Ou será que pensam que aquilo foi só uma das várias desgraças que acontecem com os outros, menos consigo próprio, então...que receita culinária vai passar no final do jornal de hoje?
Ainda hoje não me posicionei como ateu se enxergo a religião como um dos maiores cânceres da humanidade, ou se continuo sendo um pouco mais liberal, respeitando a idiotice geral. Mas uma coisa é certa: com as verdades enlatadas das religiões, as pessoas não param pra refletir e questionar nada...que não tenha a ver com dinheiro ou o prazer delas. E a merda continua sendo jogada no ventilador. Que gostoso.
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